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Psicoterapia

O papel da psicoterapia no trabalho da Ruqya, adaptado do material do Sheikh Ben Halima.

Este texto descreve uma prática seguida em alguns centros de Ruqya. Não é terapia psicológica reconhecida nem substitui o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra. Trabalhar memórias traumáticas sem formação adequada pode agravar o sofrimento de quem já está fragilizado. Em casos de trauma grave, depressão profunda ou pensamentos de suicídio, procure um profissional de saúde mental.

A psicoterapia é um elemento importante na Ruqya. É uma técnica mental que permite libertar a pessoa dos sofrimentos que viveu. Quando passamos por algo doloroso, isso permanece dentro de nós, dando origem a sentimentos negativos e reacções desproporcionadas. A psicoterapia ajuda a retirar aquilo que continua a prejudicar a pessoa.

Por vezes a ligação entre a fragilidade da pessoa e aquilo que viveu é evidente — desde um acidente, deixou de ter serenidade, algo mudou nela. Outras vezes o efeito não é fácil de identificar: alguém que teve dificuldades na infância, ou foi maltratado durante muito tempo, pode deixar de ter personalidade própria, não conseguir afirmar-se, ser excessivamente tímido ou não sentir prazer em nada. Os efeitos são muito variados.

Qual é a ligação entre a psicoterapia e a Ruqya?

Quando se compreende a psicoterapia e o funcionamento da mente humana, torna-se possível distinguir os problemas psicológicos dos problemas de ordem mística — os que se devem ao sihr, aos jinn e ao mau-olhado. É necessário colocar as coisas em perspectiva: se falamos de problemas entre um casal, é preciso compreender primeiro quais são os conflitos normais de um casal, para só depois poder dizer que determinado problema não é normal e está ligado ao sihr.

Alguns pacientes sofrem de problemas psicológicos graves — o que não exclui terem também problemas de sihr. Mas por vezes o problema psicológico é mais grave do que o problema de jinn, e acontece também que o problema psicológico impede a pessoa de ser curada do sihr: por estar demasiado afectada psicologicamente, dá força ao jinn e ao feitiço para a dominarem. Por isso é necessário tratar ao mesmo tempo o problema psicológico e o problema místico.

Quem pratica a Ruqya deve também fazer este trabalho sobre si próprio, até não restarem sequelas do que viveu. Os efeitos do sofrimento enfraquecem a pessoa; mesmo que julgue ter ultrapassado o problema, ele continua presente e serve de base à influência dos jinn. Quando alguém se liberta completamente desses efeitos, torna-se menos vulnerável ao sihr e aos jinn — o que é uma vantagem importante para um Raaqi, e para qualquer pessoa.

Como se faz a psicoterapia?

A base do método é contar aquilo que se viveu, as coisas dolorosas, para encontrar alívio. Sabe-se há muito tempo que contar os problemas alivia, mas aqui isso é feito de forma mais técnica. Faz-se a dois: senta-se em frente da pessoa e pergunta-se se há algo na sua vida que a fez sofrer.

«Feche os olhos e conte-me esse acontecimento como se estivesse a assistir a ele agora; imagine a cena como se estivesse lá dentro. Conte-me o que aconteceu. Eu vou ouvi-lo e ajudá-lo a contar, e posso fazer perguntas — mas o que importa aqui é repetir aquilo que dói. Quando chegar à parte que dói, tem de a repetir.»

A técnica é simples e muito eficaz. Nos casos simples, sabe-se onde está o problema e quais as suas consequências, e a pessoa repete até estar terminado. Quando se acaba de falar de um acontecimento, pergunta-se se há mais alguma coisa que a tenha magoado na vida — e ela recordará outra coisa, repetindo-se a técnica até ao fim. As sessões não devem passar de duas horas, para não cansar o cérebro; é preciso estar em boas condições, bem alimentado e bem dormido. Quando um acontecimento é complexo, trabalha-se por partes: a doença do pai, o internamento, a chamada, o anúncio da morte — retirando a dor de cada etapa.

Como se sabe que o sofrimento foi removido?

Primeiro, a pessoa atravessa os estados mentais negativos: apatia, medo, tristeza, cólera e tédio. O mais profundo de todos é o medo, seguido da apatia, depois a tristeza e a cólera, e por fim o tédio. À medida que repete aquilo que dói, vai atravessando estes estados até deixar de sentir nada em relação ao acontecimento.

Segundo, até as imagens do acontecimento desaparecerem e a informação parar. Enquanto conta, vai recordando mais pormenores; quando já não surge informação nova, não há mais nada para recordar e o acontecimento está terminado.

Situações que exigem outra abordagem

Como funciona a técnica

São duas pessoas: uma ouve e não fala, excepto quando é preciso ajudar. Ao ouvir, nunca se julga, nem se comenta, nem se elogia — não se diz «fez bem» ou «fez mal», e não se entra em discussão. O que interessa é localizar a dor, encontrar a frase que a exprime, e fazer repetir essa frase até a dor terminar. Mesmo depois, não se devem voltar a discutir com a pessoa os acontecimentos falados: fica tudo para trás.

Não se preocupe se vir a pessoa a chorar; tenha apenas uma caixa de lenços preparada.

Quando se faz

Geralmente faz-se a psicoterapia depois da Ruqya e da explicação do tratamento. Por vezes só depois do primeiro tratamento, porque um problema de sihr muito forte perturba a sessão. Se alguém tem um sihr feito com terra de cemitério e isso o deixa triste, a psicoterapia não encontrará a causa dessa tristeza — porque ela não está nos acontecimentos que viveu.

É preciso saber também que a psicoterapia não resolve problemas do presente: quem foi despedido e está deprimido tem um problema real, e precisa de encontrar trabalho e uma solução para a sua situação. A psicoterapia serve para retirar os efeitos do sofrimento passado. Recorda-se tudo, tiram-se lições, e deixa-se de sofrer com o trauma. Para quem trabalha na Ruqya, este trabalho torna a pessoa mais forte para enfrentar todas as situações, sobretudo as ligadas ao sihr e aos jinn.

Que Allah nos ajude.

Texto adaptado e traduzido do material sobre Ruqya do Sheikh Ben Halima.

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